Extinção do Ordoviciano–Siluriano

450 milhões de anos atrás

Extinção do Devoniano-Superior

360 milhões de anos atrás

Extinção Permo-Triássica

251 milhões de anos atrás

Extinção do Triássico-Jurássico

200 milhões de anos atrás

Extinção do Cretáceo-Paleógeno

65 milhões de anos atrás

Extinção em massa do Holoceno

em andamento

Nos últimos quinhentos milhões de anos, o mundo passou por cinco brutais extinções em massa. Dessas, a mais conhecida foi a colisão de um asteroide com o ¨nosso planeta¨, eliminando, entre outros seres vivos, os dinossauros. 65 milhões de anos se passaram desde então.

Calçamento revirado, vidraças partidas, postes caídos e carros incendiados. É assim que as narrativas contemporâneas, principalmente o cinema, descrevem o fim do mundo, correto? Ah!

Não esqueçamos que nossa aflição de “fim do mundo” confunde-se sempre com a ideia de extinção do ser humano.

Confrontos, tiros, bandeiras estendidas, gritaria, povo nas ruas. Enquanto alguns se dirigem a Arca de Noé, outros são carregados a força para camburões. Mas isto é o fim do mundo ou junho de 2013, maio de 68?

Adiantamos uma informação em tons apocalípticos: nos últimos anos, cientistas vem monitorando a nossa ¨sexta extinção¨, já em andamento (Extinção do Holoceno), com potencial para ser a mais devastadora da história da Terra.

O que chama a atenção é que, dessa vez, a causa não será um asteroide ou algo semelhante. Nós seremos a causa. 

Mas não nos preocupemos. Nós, brasileiros, entendemos muito bem do riscado, afinal somo especialistas em autodestruição. A bancada do boi, da bala e da bíblia não nos deixa mentir!

Ouvimos dizer também que a primeira espécie humana extinta será a dos artistas. Esta organização secreta que se estende por todos os continentes, nominada pelo encenador Gerald Thomas como “E, mortos, caminhamos”, enquanto outros a chamam de “teatro”.

O processo de extinção em curso, conta com táticas bastante simplórias inclusive, que envolve o sucateamento e/ou fechamento de espaços públicos dedicado as artes, redução de investimentos nesta atividade prevista na constituição, vilipêndio dos trabalhadores, descaracterização de nossos papéis exercidos na sociedade, ataques cibernéticos e até prisões.

Sim, está tudo orquestrado. Resta-nos pouco tempo. O que fazer, então? Um festival de teatro? Conseguiremos chegar então a sexta edição ou seria extinção?

Eis chegada a era do Antropoceno. Eis chegado o momento em que humanos substituíram a natureza como a força ambiental dominante na Terra. Para se ter ideia, nos últimos 40 anos presenciamos uma erosão maciça da maior diversidade biológica da história do planeta!

Matamos bicho. Matamos gente. Que diferença faz, não é?

Não precisamos de asteroides. Somos um país-cadáver em putrefação.

Por uma escola sem partido, já que não me preocupo que ela esteja sem bancas nem merendas. Pela extinção de médicos cubanos em nosso país, já que tô pouco me fudendo que os hospitais nem macas e leitos possuem? Que esses artistas escrotos, pedófilos, deixem de mamar nas tetas do governo. Não seremos Cuba, Venezuela..... é assim que a patalhada diz, não é? Quá, quá, quá....

Não à toa reunimos estes espetáculos em nossa sexta edição. Já pararam pra pensar o que é ser mulher, ser negro, ser nordestino, ser trans, ser gay nesta merda de país? Corpos marcados sob miras cotidianas para serem extintos.

Este festival é uma barricada. Um front de peitos abertos a enfrentar essa porrada-vida. Corram meus camaradas, o velho mundo está atrás de nós!

Uma esperança nos resta. Sem a arte, a própria narrativa sobre o fim se tornará inenarrável. Com bem diz o escritor português Pedro Eiras, ¨na verdade, testemunhar o fim dos tempos implicaria continuar os tempos, numa contradictio in terminis: por isso, só pode haver relato do fim do mundo graças à existência, performativamente demonstrada, do próprio mundo¨.

E assim, nos jogamos no abismo de mais uma edição. Talvez a mais difícil de todas. Talvez por que 50 anos se passaram de maio de 68 e quase nada tenha mudado. Talvez porque estejamos mesmo pertos de uma tentativa de extinção.

Sentimos informar. Por Marielle, por Matheusa, por tantos outros corpos extintos. Para que nada disto tenha sido em vão. Sobreviveremos.

The end.

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